Lucila Wroblewski | fotografia

Com ou sem palavras, poesia é o que nos convida a olhar de outro jeito. Olhar tanto que se chegue a ver o invisível. Até que o olho, enfim, esteja nu. E a ele se revele o quanto de espiritual existe no material. Como um ruído que restabelece o silêncio interior. Um vento que assume a forma da luz. Ou uma luz que, tomando a forma do vento, o denuncia. Um mundo mágico, onírico, misterioso que nos aparece além do real para, logo em seguida, desvendar-se como outra realidade. Onde tudo, em total imobilidade, se move. O gesto futuro e o gesto passado resplandecendo e reverberando no momento irrepetível do agora.

Aqui se vê o que os olhos não vêem mas o coração sente.

Ouvir o que essas imagens falam é um outro jeito de ver poesia.

Alice Ruiz

Texto de abertura da exposição Paisagens Silenciosas_p&b, 1998.